Journal/Vegetable Garden · 6 min de leitura
Como plantar ruibarbo: plante uma vez, colha por vinte anos
O ruibarbo se planta uma vez só, no fim do outono ou começo do inverno. Onde ele vinga no Brasil, como plantar a coroa, a regra do primeiro ano, como dividir touceiras velhas e quando parar de colher.
O ruibarbo ainda é pouco comum no Brasil, então vale apresentar: é uma planta perene de talos grossos e avermelhados, bem ácidos, usados em doces, geleias e tortas; as folhas são tóxicas e não se comem. Na horta ele ocupa um lugar estranho: tecnicamente é hortaliça, é comido como fruta e não se planta como nenhuma das duas. Não tem sementeira, não tem plantio escalonado, não tem correria. Você planta uma coroa dormente uma única vez, de preferência na metade fria do ano, e a mesma planta produz por quinze ou vinte anos, com menos atenção do que quase qualquer outra coisa do canteiro. O porém está todo no começo: as decisões do primeiro mês e a contenção do primeiro ano definem as duas décadas seguintes.
O calendário importa, e no Hemisfério Sul ele é o inverso do europeu. A Royal Horticultural Society (RHS), do Reino Unido, indica plantar no começo do inverno de lá; traduzindo para o Brasil, a melhor janela é de maio a junho, ainda aberta até o início de setembro. Isso deixa abril para o único trabalho que realmente compensa: preparar o solo. Na primavera, quando a sua lista de tarefas de outubro estiver cheia de semeaduras, o ruibarbo já estará brotando sozinho.
Onde o ruibarbo vinga no Brasil – sendo honesto
Antes do onde, o se. O ruibarbo precisa de frio de verdade no inverno para produzir bem: a Extensão da Universidade de Minnesota cultiva a planta sem dificuldade na zona USDA 4, de invernos rigorosíssimos. Calor, por outro lado, é problema. Por isso ele vai bem principalmente no Sul (RS, SC, PR) e nas áreas mais altas do Sudeste, como as serras de São Paulo e Minas Gerais. Em regiões baixas e quentes ele sofre, e não há canteiro bem preparado que compense a falta de inverno – melhor saber disso antes de comprar a coroa.
Onde o clima ajuda, escolha o lugar como escolheria o de uma árvore, porque ele é morador permanente. Sol pleno é o ideal – ele tolera um pouco de sombra leve, mas os talos saem mais finos e mais lentos. Qualquer solo de jardim razoavelmente fértil serve, desde que drene bem: coroa em solo encharcado no inverno é o jeito mais garantido de perder um ruibarbo, porque as raízes grossas apodrecem.
Antes do plantio, incorpore um a dois baldes de matéria orgânica bem curtida por metro quadrado. O ruibarbo é guloso e tem contrato longo, e esta é a única chance de melhorar o solo embaixo dele. Se você já tem uma composteira funcionando, é exatamente para isso que serve o que ela produz – mas para plantar agora, use esterco ou composto já maduro.
Como plantar a coroa, passo a passo
Uma coroa não tem nada de bonito – é um punhado de raiz grossa com uma ou mais gemas em cima. Ignore a aparência e faça assim:
- 1. Abra no solo preparado uma cova larga o bastante para as raízes caberem sem dobrar.
- 2. Posicione a coroa com as gemas no nível da superfície do solo ou logo abaixo. Enterradas fundo, as gemas podem apodrecer; altas demais, ressecam. No nível ou logo abaixo – o segredo é só esse.
- 3. Firme a terra em volta das raízes e regue.
- 4. Se for plantar mais de uma, deixe um metro entre as coroas – uma planta adulta é maior do que você imagina.
- 5. Depois, deixe quieta. Sem adubo, sem frescura, sem conferir toda semana. Ela está dormente; é para parecer morta mesmo.
O ano da paciência
Esta é a regra que separa quem cultiva ruibarbo de quem um dia teve um ruibarbo: não colha nada na primeira temporada. Nem um pouquinho, nem só para uma geleia. Cada talo arrancado tira área de folha, e no primeiro ano a planta gasta tudo o que tem construindo o sistema de raízes que vai bancar os próximos vinte anos. A RHS e a extensão de Minnesota são categóricas nisso. Na segunda temporada, faça uma colheita leve – alguns talos e pare. A partir do terceiro ano, colha à vontade dentro da temporada.
A mesma lógica vale para as hastes florais. Se a planta soltar um talo grosso e oco com um botão do tamanho de um punho, corte-o na base assim que aparecer. Produzir semente custa caro, e você quer essa energia na coroa, não nas flores.
Dividindo uma touceira velha
Se você já tem ruibarbo – ou conhece alguém que tem –, o fim do outono e o começo do inverno também são a época de renová-lo. Depois de uns cinco anos, a coroa fica apertada e os talos saem finos. A solução é a mesma de qualquer perene cansada: arranque a coroa em maio ou junho e divida com a pá em pedaços, cada um com um bom naco de raiz e pelo menos uma gema. As partes de fora são jovens e vigorosas; o centro lenhoso de uma coroa velha já cumpriu sua função e pode ir embora. Replante os melhores pedaços em solo melhorado e trate cada um como planta nova – o que significa, sim, que o ano da paciência vale de novo. Uma touceira velha costuma render três ou quatro boas divisões, e é assim que o ruibarbo passa de horta em horta há gerações sem ninguém pôr a mão no bolso.
Colheita: puxe, não corte
A partir da segunda ou terceira primavera, a colheita vai de setembro ou outubro até dezembro. Segure o talo bem embaixo e puxe com uma torção, para ele se soltar limpo da coroa – a faca deixa um toco que pode apodrecer e levar doença para dentro da coroa. Nunca tire mais da metade dos talos de uma vez e pare de colher até o fim de dezembro: a planta precisa de uma segunda metade da temporada de crescimento com folhagem cheia para recarregar para o ano seguinte. Um aviso sobre as folhas: não são comestíveis. Elas contêm ácido oxálico em quantidade suficiente para serem realmente tóxicas; torça e mande para a composteira – lá o ácido se decompõe e não faz mal nenhum.
E esse é o contrato inteiro. Regue fundo nos períodos secos, cubra o solo com bastante cobertura morta a cada primavera mantendo as gemas livres, dê um adubo completo se o crescimento enfraquecer, e no resto a planta se vira sozinha. Plante uma coroa neste outono-inverno, não faça nada no ano seguinte, e daí em diante você terá a primeira “fruta” de cada temporada saindo de um canto da horta em que você mal pensa. Poucos negócios são tão bons – desde que o seu clima tenha inverno de verdade.
Fontes e leituras recomendadas
Perguntas frequentes
Posso colocar folhas de ruibarbo na composteira?
Pode. O ácido oxálico que torna as folhas impróprias para consumo se decompõe durante a compostagem e não envenena a pilha nem o composto pronto. Torça as folhas na colheita e junte como qualquer outro material verde.
Meu ruibarbo está florescendo – a planta está perdida?
Não, mas aja. Corte a haste floral na base assim que ela aparecer, para a planta pôr a energia na coroa e não em sementes. Florescer com frequência pode ser sinal de estresse ou de uma coroa velha e apertada que já precisa ser dividida.
Dá para plantar ruibarbo por semente em vez de coroa?
Dá, mas é o caminho lento: as mudas variam em qualidade porque as cultivares não se reproduzem fiéis pela semente, e você espera um ano a mais – colhe a partir da terceira temporada, não da segunda. Uma coroa ou uma divisão de uma boa planta é o melhor começo.
Sobre o autor(a)

Horta & estações do ano
Arthur cuida da mesma horta há trinta anos e mede o calendário em semeaduras, não em meses. Ele escreve guias práticos e diretos sobre cultivar comida e manter a horta honesta ao longo das estações — e tem pouca paciência com crendices que não sobrevivem ao contato com um canteiro de verdade.
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